A mulher de 50 anos
Calcula-se, em números redondos, que a população feminina do Brasil é de 75 milhões, e que o número de mulheres acima de 49 anos é de 10 milhões (cerca de 13% do total). Levando-se em conta que a expectativa de vida da mulher brasileira aumentou, e hoje é estimada em mais de 70 anos de idade, pode-se entender a importância que o climatério e seus problemas representam para o dia-a-dia dos serviços de Ginecologia.
Esse imenso contingente de possíveis pacientes, que acabam representando um importante problema de Saúde Pública, necessita entender, absolutamente, o que está acontecendo no seu corpo e com as suas emoções.
Para tanto, o ideal é consultar o ginecologista um pouco antes da menopausa ou, se não for possível, logo após a última menstruação, antes de os sintomas e sinais se traduzirem em desconforto e perda da qualidade de vida.
A mulher, que absorve ao longo da vida o desconforto mensal dos períodos menstruais, com dismenorréias e TPMs, merece aos 50 anos viver em paz. E paz, quer dizer que essa nova mulher se veja e seja vista diferente. Mais capaz e mais confiante. Mais feliz.
Sinais e sintomas da pós-menopausa
As primeiras e mais comuns das queixas são, sem dúvida, os calores repentinos e a transpiração excessiva, que se repetem inúmeras vezes ao longo do dia e da noite, interferindo, inclusive com o próprio sono, já que a mulher acorda várias vezes à noite. A diminuição dos hormônios se mostra perceptível em várias outras áreas, como a pele (se torna mais fina, seca e enruga), os cabelos (mais ralos e quebradiços) e até a voz que pode se tornar um pouco mais grave. Além disso, a mucosa vaginal (revestimento interno da vagina) torna-se mais fina e seca, o que pode levar à relação sexual dolorosa, e o aparelho urinário apresenta dificuldade em reter a urina na bexiga, fazendo com que as idas ao banheiro tornem-se mais freqüentes para urinar.
Há solução para esses problemas
Todo esse conjunto de sinais/sintomas da menopausa, proveniente da diminuição da produção de hormônios ovarianos, recebe o nome de climatério que é a fase pós-menopausa da mulher. A solução é, sem dúvida, repor os hormônios que os ovários não produzem mais. Há medicamentos de estrogênio, assim como há medicamentos de progesterona que são usados concomitantemente, na chamada Terapia de Reposição Hormonal - TRH. Ao substituírem os hormônios naturais, os medicamentos da TRH revertem os principais sinais/sintomas climatéricos, reproduzindo, de certa forma, as condições pré-menopausa.
Medidas "obrigatórias"
A primeira medida "obrigatória" é, sem dúvida, consultar um ginecologista. Ele saberá o que indicar, tanto de medicação quanto de posturas frente a nova forma de vida. A segunda medida "obrigatória" refere-se à não atenção a "comadres, vizinhos, amigos bem intencionados e palpiteiros", que sempre têm aquela receita infalível, muitas vezes com ervas milagrosas que atuam em todos os sintomas sem nenhum efeito secundário. Nada contra as ervas, garrafadas ou benzedeiras, só que ainda não há comprovação científica. É trocar o certo pelo duvidoso.
E, finalmente a terceira medida "obrigatória" é viver feliz. A mulher no climatério não é "uma doente"; nesse período apenas está se ressentindo da falta de alguns hormônios no seu organismo, e que poderão ser repostos. No mais, a mulher atingiu o ápice de sua experiência e sabedoria, conseqüentemente apta a ser feliz e fazer os outros felizes.